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O profissional do futuro da logística ou, melhor, o profissional da logística do futuro

Qual é o perfil profissional do futuro quando o assunto é logística? Talvez, refraseando, a pergunta seja: qual o perfil de profissional que as cadeias logísticas do futuro precisam?

Numa complexa e rápida combinação de fatores, a qualificação exigida e esperada de gestores e gestoras de supply chain mudou drasticamente nos últimos 4 anos, tempo muitas vezes insuficiente para preparação dos próprios profissionais para os novos desafios colocados. Com isso, há o risco de perda para automação de grande quantidade de funções não qualificadas(1) e dificuldade em encontrar mão de obra qualificada(2), mesmo com a alta procura por profissionais da área(3).

Mas afinal, quais fatores vem exigindo esta adaptação de formação e qualificação? Podemos pensar em quatro movimentos principais.

 

  1. Mudança de cadeia de abastecimento para cadeia de valor

Já não é novidade o necessário “foco no cliente”(4), mas a explosão das redes sociais, a ampla concorrência nacional/global e a exigência de alto nível de serviço nos mais diferentes modelos de distribuição trouxeram um senso de urgência para a efetiva transformação das cadeias de abastecimento em cadeias de valor(5), deixando de pensar de dentro para fora da empresa e passando a estruturar processos de fora para dentro, entendendo as demandas e necessidades do mercado para então desenvolver produtos e serviços e, finalmente, estruturar modelos de abastecimento.

Isso exige maior e concreta conexão das cadeias com seus clientes e consumidores, modelos ágeis e assertivos de comunicação e capacidade de ajustes rápidos de processos e modelos. Neste ponto, flexibilidade e responsividade são críticos, buscando sempre se antecipar aos desejos dos consumidores. Em recente relatório da Deloitte(6), há boas dicas do estes consumidores esperam, como agilidade e confiança dos modelos de abastecimento, participação com ativa comunicação duas-vias com as empresas.

 

  1. Crescimento do e-commerce e da logística sob demanda

A taxa de crescimento do volume de e-commerce no Brasil está acima de 2 dígitos nos últimos anos, alcançando um crescimento estimado de 70% em 2020(7). Este crescimento aconteceu em volume de pedidos, diversidade de itens comercializados e chegada de novos e-consumidores, trazendo complexidade à gestão operacional e exigindo capacidade de ‘go live’ de novas operações em tempo recorde, sem abrir mão de nível de serviço.

Não só a logística de e-commerce, mas a logística urbana como um todo vem mudando muito com novos modelos de entrega, amplo uso de tecnologia, conectividade com cliente final e altíssima exigência de nível de serviço (prazos cada vez menores. O transporte urbano de carga passa a ganhar relevância nas discussões de políticas públicas dado seu impacto na vida das cidades em termos de trânsito, segurança, ruído e emissões, entre outros. Relatório recente do Fórum Econômico Mundial aponta que, num cenário fictício de compras 100% online, há potencial de redução de mais de 30% do volume de veículos nas cidades(8).

O/a gestor/a de supply chain precisa ter um entendimento mais ampliado dos impactos – e das oportunidades – do abastecimento urbano, não apenas precisando estar a par das políticas públicas e restrições vigentes, mas também construindo diálogo com demais atores do ecossistema urbano para maximizar eficiência, o que leva ao terceiro movimento.

 

  1. Multidisciplinaridade

Conhecer caminhões e equipamentos de movimentação interna, fazer bom uso de KPIs operacionais e sistemas de otimização e ter clara a lógica de planejamento não é mais suficiente para que gestores/as de logística efetivamente agreguem valor às operações gerenciadas.  A avaliação desempenho e a priorização de projetos passa a ir além de questões operacionais, trazendo desafios de sustentabilidade, segurança do abastecimento, mitigação de externalidades negativas, geração de impacto social positivo, entre outros.

A consultoria global PwC apresentou um novo conceito para avaliação de projetos, que amplia o clássico modelo de ROI (returno on investment) para o modelo de ROX (return on experience), visando rentabilidade de longo prazo através de avaliações que incluem o ROI, mas também nível de fidelização e impacto no comportamento de consumo, por exemplo(9). Este é só um exemplo da importância de aumentar as áreas de conhecimento a fim de análises mais globais, tanto de impactos quanto de ganhos.

Neste sentido, entra também a urgência da inclusão de princípios de sustentabilidade na rotina de operações logísticas. Já está clara a importância da construção de negócios sustentáveis, garantindo fidelização de mercados consumidores, maior valorização no médio e longo prazo e redução contínua de perdas, desperdícios e custos. É preciso destacar a importância da cadeia de abastecimento para tais modelos de negócio, ponto muito explicitado em artigo do Forum Econômico Mundial de 2020, que aponta 3 pilares para construção de empresas sustentáveis: cadeias sustentáveis, linhas de financiamento verde e inovação social(10).

Ter conhecimentos diversos, construir análises multi-variáveis, buscar eficiência através da inovação e da sustentabilidade são alguns dos desafios do profissional que vai se destacar no mercado.

 

  1. Digitalização das cadeias de abastecimento

No amplo espetro do conceito de digitalização de supply chain(11), não faltam oportunidades de inovação e melhoria em processos, equipamentos, atividades, modelos de abastecimento e de produção. Seja com diferentes forma de uso de IoT e blockchain nas cadeias de abastecimento(12), seja estruturando painéis de gestão dinâmicos, pró-ativos e com aplicação de inteligência artificial(13), crescem as aplicações, mas ainda é baixo o nível de real digitalização das operações no Brasil.

Cada gestor/a a frente de operações logísticas lida com uma diversidade de questões que aparentam ser do século passado (barreira fiscal, documentação excessiva em papel, restrições de circulação etc), muitas vezes impedindo dar passos iniciais simples na jornada da digitalização, que pode incluir iniciativas simples como automatização de processos de contratação e pagamento de terceiros ou agendamento para carga/descarga em CDs e plantas. Não está nem sendo discutido ainda o amplo uso de veículos autônomos (Brasil é último no índice global(14) em termos de nível de preparação para isso), mas sim aspectos simples e passíveis de implementação.

 

Fechando

Será que daremos conta do desafio de atualização a ponto de garantir empregabilidade e geração de valor para as operações? Claro que sim, somos logísticos! A gente entrega!

O desafio está em saber o que deve ser entregue e como. Há muito mais a desenvolver em termos de soft skills (qualificações de comportamento) do que hard skills (qualificações técnicas) – isso não é uma exclusividade dos gestores de supply, como mostra este estudo da consultoria Robert Half(15), mas que é urgente para logísticos em geral(16).

A logística do futuro exige novos conhecimentos, novas formas de abordar problemas e construir soluções, novas construções de valor. A oportunidade está dada. Cabe a cada um e cada uma abraça-la!

 

 

 

Referências:

(1) Relatório “Teh Future of the Jobs”, 2020, Fórum Econômico Mundial: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2020/digest

(2) A disputa por mão-de-obra qualificada: https://www.hdi.global/infocenter/insights/2019/skill-shortage/

(3) Os perfis mais cobiçados: https://www.istoedinheiro.com.br/veja-as-5-profissoes-que-estarao-em-alta-em-2021-segundo-pesquisa/

(4) Customer centric cultura: https://hbr.org/2018/10/6-ways-to-build-a-customer-centric-culture

(5) Value chain and value network: https://www.capgemini.com/resources/rethinking-the-value-chain-new-realities-in-collaborative-business/

(6) Deloitte Global Marketing Trends 2021: https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/strategy-operations/articles/global-marketing-trends.html

(7) Crescimento e-commerce 2021: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2021/02/18/vendas-do-e-commerce-brasileiro-cresceram-75-em-2020-ante-2019-diz-mastercard.htm

(8) The Future of the Last Mile Ecosystem, WEF, 2020: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-the-last-mile-ecosystem

(9) Conceito ROX (Returno n experience): https://www.pwc.com/us/en/services/consulting/technology/sap-business-solutions/return-on-experience-rox.html

(10) Supply chain na construção de negócios sustentáveis: https://www.weforum.org/agenda/2020/09/how-businesses-build-sustainable-future/

(11) Digitalização das cadeias de suprimentos: https://www.mckinsey.com/business-functions/operations/our-insights/supply-chain-40–the-next-generation-digital-supply-chain

(12) Uso de IoT e blockchain: https://www.forbes.com/sites/louiscolumbus/2019/01/13/top-10-ways-internet-of-things-and-blockchain-strengthen-supply-chains/?sh=9298c1e5e4e1

(13) CAVE Lab – CTL MIT: https://www.youtube.com/watch?v=9_YyVFG88AM&feature=emb_logo

(14) KPMG: Autonomous Vehicles Readiness Index 2020: https://assets.kpmg/content/dam/kpmg/xx/pdf/2020/07/2020-autonomous-vehicles-readiness-index.pdf

(15) Soft x hard skills: https://www.whow.com.br/global-trends/veja-10-habilidades-em-alta-para-2020-segundo-consultoria-de-recrutamento/?utm_campaign=news-whow-2311&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

(16) DHL Supply chain manager 2020: http://dhl.lookbookhq.com/ao_thought-leadership_talent-gap/infographic_supply-chain-manager-2020

 

 

 

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